Telas na primeira infância prejudicam o desenvolvimento cerebral
Written by LiveFM Rádio on 29 de August de 2026
O acesso ampliado à internet nos últimos anos trouxe diversas oportunidades educacionais relevantes, mas também desafios relacionados ao desenvolvimento neuropsicomotor.
A Sociedade Brasileira de Pediatria explica que o momento da primeira infância é caracterizado por uma intensa plasticidade cerebral, quando as experiências interpessoais se tornam determinantes para a organização de circuitos neurais relacionados à linguagem, autorregulação e funções executivas.
Alguns estudos apontam que, durante essa faixa etária, o tempo de tela pode acarretar o atraso de linguagem, pior desempenho do desenvolvimento e prejuízo em funções executivas.
“Quando a tela passa a ocupar o espaço da brincadeira livre, da conversa, do movimento e da interação com outras crianças e adultos, a criança perde experiências essenciais para o desenvolvimento”, ressalta a gestora educacional, com especialização em áreas essenciais da alfabetização, Raquel Nazário.
A especialista diz ainda que o aprendizado, de forma geral, é composto, principalmente, por atividades de exploração.
“Na infância, aprender não acontece apenas pela absorção de conteúdo, mas pelo corpo em movimento, pela linguagem compartilhada, pelo faz de conta, pela negociação com o outro e pela exploração concreta do ambiente. A Organização Mundial da Saúde reforça que, especialmente nos primeiros anos, crianças precisam de mais tempo de brincadeira ativa, sono de qualidade e menos tempo sedentário diante de telas”, explica.
A partir dessas evidências, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda evitar telas antes dos dois anos e limitar a até uma hora diária entre dois e cinco anos. A Sociedade Brasileira de Pediatria também reforça essas recomendações.
Na idade escolar e na adolescência, o uso estruturado e intencional de recursos digitais pode favorecer a aprendizagem e o letramento digital. No entanto, o uso recreativo excessivo está relacionado a sintomas depressivos e ansiosos, aumento de sedentarismo e obesidade, além de prejuízos ao sono.
Com informações da CNN Brasil*
Imagem: Reprodução