Salário mínimo deveria ser R$ 8.110, cinco vezes o valor atual, aponta Dieese
Written by LiveFM Rádio on 1 de August de 2026
O valor médio da cesta básica nas capitais brasileiras chegou a R$ 779,95 em junho de 2026, alta de 8,69% em 12 meses, e passou a consumir 52,02% do salário mínimo líquido do trabalhador. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento e do Dieese, e foram divulgados em levantamento publicado pelo portal ND Mais.
Na mesma pesquisa aparece o outro lado da conta. Para sustentar uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário no país seria de R$ 8.110,92, cerca de cinco vezes o piso vigente, de R$ 1.621. Comprar apenas os alimentos básicos exige hoje 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês, o equivalente a mais de duas semanas de expediente destinadas exclusivamente à comida.
A média nacional é o número que resume o problema. Em junho de 2026, o conjunto de alimentos essenciais custou R$ 779,95 nas capitais pesquisadas, resultado de uma alta acumulada de 8,69% nos 12 meses anteriores. É o valor de uma despesa que não pode ser adiada nem parcelada.
O tempo de trabalho traduz melhor esse peso do que o valor em reais. São 105 horas e 51 minutos por mês dedicados apenas a pagar a cesta básica, considerando a jornada e o salário mínimo líquido. Em um mês de trabalho, mais de cem horas vão embora antes de qualquer outra conta ser paga. Aluguel, transporte, energia e remédio entram na fila depois disso.
O percentual de 52,02% precisa ser lido com atenção a uma palavra: líquida. O cálculo não usa o valor cheio do salário mínimo, e sim o que sobra depois dos descontos obrigatórios, que é o dinheiro que realmente chega à conta do trabalhador no fim do mês.
A própria conta permite estimar de quanto se fala. Se R$ 779,95 correspondem a 52,02% da renda líquida, o valor que sobra no bolso do trabalhador que ganha o mínimo gira em torno de R$ 1.499, contra os R$ 1.621 do piso bruto. A diferença entre um número e outro é o desconto obrigatório que sai antes de o salário cair na conta.
Essa diferença muda a percepção do problema. Quando mais da metade do que efetivamente entra na conta vai para alimentação básica, o restante do orçamento precisa caber na metade que sobrou. A cesta básica deixou de ser um item do orçamento e passou a ser o orçamento. É por isso que a sensação relatada por tanta gente, de que o salário some no supermercado, aparece agora sustentada por estatística.
Fonte: Click Petróleo e Gás
Imagem: Reprodução