Brasil terá primeira fábrica do mundo de curativos com pele de tilápia
Written by LiveFM Rádio on 18 de August de 2026
O Brasil vai ganhar a primeira fábrica do mundo voltada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial de R$ 52 milhões.
A tecnologia nasceu de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e transforma a pele do peixe, normalmente descartada pela indústria, em um curativo biológico potente, usado no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O projeto industrial é conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical.
Atualmente, o laboratório da UFC consegue preparar, em média, até 600 peles de tilápia por mês. A previsão para a nova fábrica é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação comercial. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a 12 mil peles diariamente.
A expectativa é de que a unidade possa atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) e levar uma tecnologia brasileira desenvolvida no Ceará para outros países.
A pele de tilápia funciona como um curativo biológico que adere à região lesionada e pode ser utilizada em queimaduras de segundo e terceiro graus.
Uma das vantagens é reduzir a necessidade de trocas frequentes de curativos, procedimentos que podem provocar dor e exigir uso de medicamentos fortes.
Segundo dados apresentados pela empresa responsável pelo projeto, a tecnologia pode proporcionar uma redução de 52% nos custos totais do tratamento de queimaduras, na comparação com o método convencional. A técnica também pode diminuir o uso de analgésicos opioides e a necessidade de levar repetidamente o paciente ao centro cirúrgico para a troca dos curativos.
O cronograma prevê que, a partir de outubro de 2026, sejam necessários entre 15 e 18 meses para concluir a fábrica, instalar os equipamentos e realizar a validação dos lotes piloto.
Se todas as etapas ocorrerem como previsto, a operação poderá começar em janeiro de 2028. A produção para uso comercial ainda dependerá das etapas regulatórias e sanitárias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
E a inovação brasileira poderá ganhar o mundo. México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia para pesquisas e futuras aplicações.
Fonte: Portal Só Notícia Boa/Infomoney
Imagem: Viktor Braga