Amamentação reduz risco de doença cardíaca na mãe
Written by LiveFM Rádio on 3 de August de 2026
A médica esclarece, porém, que isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença.
Durante a gestação, a mulher sofre alterações hormonais, como alta da resistência à insulina e elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL (colesterol ruim).
Já na lactação ocorre um reset metabólico, uma espécie de reinicialização do organismo, pois a produção de leite atua na regulação do açúcar, ao melhorar o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumentar a sensibilidade à insulina; usa glicose do corpo, reduzindo o risco de diabetes; e o alívio cardíaco, uma vez que reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço para bombeamento do sangue.
Liberação de hormônios
O período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como a ocitocina, a prolactina, os glicocorticoides, a grelina e o hormônio do crescimento, que atuam como uma proteção ao miocárdio contra possíveis lesões cardíacas.
Um dos principais destaques é a ocitocina. Conhecido como o “hormônio do amor”, a ocitocina protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela geração de energia celular, oferecendo uma barreira extra de cardioproteção à mãe.
“Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que “resetadas” na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos”, explicou a médica, acrescentando que a resistência à insulina, se não for controlada, pode evoluir para o diabetes.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e um infarto.
Agosto Dourado
O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado, dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A cor dourada simboliza o “padrão ouro” de qualidade do leite materno, alimento especialmente adaptado às necessidades do bebê. No Brasil, a mobilização foi instituída pela Lei nº 13.435/2017 e busca promover ações de incentivo, proteção e apoio à amamentação.
O leite materno fornece água, nutrientes e componentes de defesa essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento da criança. Além de contribuir para a prevenção de diarreias, infecções respiratórias e outras doenças comuns na infância, a amamentação pode reduzir o risco de excesso de peso ao longo da vida e favorecer o vínculo afetivo entre mãe e bebê. Para a mulher, também oferece outros benefícios, como auxílio na recuperação após o parto e redução do risco de câncer de mama e de ovário.
A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam que o bebê receba exclusivamente leite materno até os seis meses de vida, sem a oferta de água, chás, sucos ou outros alimentos, salvo quando houver indicação profissional. A partir dos seis meses, deve ser iniciada a alimentação complementar saudável, mantendo-se a amamentação até os dois anos ou mais.
Embora seja um processo natural, amamentar nem sempre é fácil. Dor, fissuras, dificuldades na pega, insegurança, cansaço e retorno ao trabalho podem interferir nesse percurso. Por isso, a mulher precisa ter acesso a informações confiáveis, acompanhamento profissional e acolhimento, sem cobranças ou julgamentos. Cada experiência é única, e existem situações clínicas, pessoais ou sociais que podem dificultar ou impedir a amamentação.
Fonte: Agência Brasil / Portal TJPE
Imagem: Reprodução