Faculdade oferece bolsa de Direito ao pedreiro que fez a própria defesa e impressionou juízes
Written by LiveFM Rádio on 4 de September de 2026
O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, que impressionou magistrados ao fazer a própria defesa na Justiça do Trabalho, ganhou uma bolsa para cursar Direito e aceitou a oferta. Na ocasião, o juiz disse que ele poderia “mudar de profissão” e agora isso vai virar realidade.
A bolsa foi oferecida pela FAMEC, em Manaus, depois que Edilson foi convidado para conversar com estudantes de Direito e contar como conseguiu estudar as leis, entender o próprio processo e chegar sozinho à tribuna do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).
A surpresa veio no fim do encontro. Edilson foi contemplado com a bolsa e não escondeu a alegria: “É um ganho importantíssimo e inesperado. É um presente, porque todo conhecimento que a gente adquire tem utilidade em um momento ou outro. Então é aproveitar mesmo”, disse.
A história ganhou repercussão nacional depois da sessão realizada em 17 de agosto na Segunda Turma do TRT-11, em Manaus.
Edilson foi o primeiro trabalhador a fazer uma sustentação oral diante dos desembargadores daquela turma usando o chamado jus postulandi, direito previsto na CLT que permite ao trabalhador atuar pessoalmente na Justiça do Trabalho, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Foram dez minutos na tribuna. Antes de começar, ele admitiu que teve medo e vergonha e contou que precisou criar coragem para estar diante dos magistrados.
Edilson precisava rebater a alegação de que teria trabalhado como autônomo em uma obra. Na sustentação, descreveu a rotina no edifício de 15 andares e questionou como um pedreiro que trabalhava do lado de fora do prédio, utilizando balancim e seguindo orientações de engenheiro e encarregado, poderia executar tudo sozinho como autônomo.
A argumentação chamou a atenção do relator, o juiz do Trabalho Sandro Nahmias Melo. Ao comentar o desempenho do pedreiro, o magistrado brincou que Edilson já poderia pensar em mudar de profissão e elogiou a lógica usada por ele na defesa. E ele ganhou a causa.
O Tribunal negou os recursos apresentados pelas duas partes e manteve, em essência, a sentença que reconheceu o vínculo de emprego entre setembro de 2023 e abril de 2024. A condenação foi fixada em R$ 21 mil, incluindo direitos trabalhistas como aviso-prévio, 13º salário, férias e multa.
Com informações do Portal Só Notícia Boa*
Imagem: Reprodução/Fametro