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Estudo inédito mostra como bronzeamento artificial danifica o DNA da pele e favorece câncer agressivo

Written by on 27 de dezembro de 2025

Um estudo amplo e detalhado publicado nesta semana na Science Advances ajuda a responder uma pergunta central da dermatologia: como o bronzeamento artificial leva ao melanoma, o tipo de câncer de pele mais agressivo que existe. A resposta vai além do risco estatístico já conhecido.

Segundo os autores, as câmaras de bronzeamento aumentam a carga de mutações nos melanócitos — células que produzem melanina — e espalham esse dano por áreas do corpo que normalmente recebem pouco sol, ampliando o número de células “um passo mais perto” de virar câncer.

Ao analisar registros de 32 mil pacientes atendidos em um serviço de dermatologia de alto risco da Northwestern University, os pesquisadores identificaram quase 3 mil pessoas com histórico quantificável de bronzeamento artificial. Mesmo após ajustes para idade, sexo, histórico familiar e queimaduras solares, o uso de câmaras de bronzeamento quase triplicou o risco de melanoma. Quanto maior o número de sessões, maior o risco.

Mas um achado chamou atenção: os melanomas em usuários de bronzeamento artificial surgiram com mais frequência em áreas de baixo dano solar cumulativo, como tronco e costas — regiões geralmente protegidas por roupas no dia a dia. Além disso, esses pacientes tiveram mais melanomas múltiplos ao longo da vida.

O que acontece dentro da célula

Para entender o mecanismo por trás desse padrão clínico, os autores sequenciaram melanócitos de pele normal de 11 usuários intensivos de bronzeamento (alguns com mais de 750 sessões ao longo da vida) e compararam com dois grupos controle, incluindo doadores do programa de corpos doados da University of California, San Francisco.

O resultado foi consistente: as células de quem usou bronzeamento artificial tinham quase o dobro de mutações por megabase de DNA em relação aos controles.

A diferença foi mais evidente na parte inferior das costas, um local pouco exposto ao sol natural, mas intensamente irradiado durante sessões de bronzeamento.

Além de mais mutações, os melanócitos de usuários de bronzeamento apresentaram maior proporção de mutações patogênicas, inclusive em genes associados ao melanoma.

A indústria do bronzeamento costuma argumentar que suas lâmpadas emitem mais UVA, considerado menos mutagênico que o UVB. O estudo desmonta essa narrativa: embora o perfil espectral seja diferente do sol, a intensidade total de UVA nas câmaras é muito maior, suficiente para elevar substancialmente o dano genético.

Implicações para a saúde pública

As conclusões reforçam alertas já consolidados. A World Health Organization classifica as câmaras de bronzeamento como carcinógeno do grupo 1, a mesma categoria do tabaco e do amianto, e a American Academy of Dermatology se posiciona contra seu uso. Ainda assim, milhões de pessoas —inclusive adolescentes— recorrem ao bronzeamento artificial todos os anos.

Para os autores, os novos dados tornam difícil sustentar qualquer alegação de segurança ou de “preparo” da pele para o sol.

Ao contrário: o bronzeamento artificial amplia silenciosamente o terreno onde o melanoma pode surgir, inclusive anos depois da exposição.

Melanoma 

O melanoma é um tipo de câncer de pele que se origina nos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Embora represente apenas 1% a 3% dos tumores cutâneos, é o mais agressivo e responde pela maioria das mortes. Ele costuma surgir como uma pinta que muda de cor, formato ou tamanho.

 

Fonte: g1.globo.com

Imagem:  TV Globo

 

 


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