Entenda o que é a polilaminina, substância desenvolvida por pesquisadora brasileira que pode recuperar movimentos de pessoas com paraplegia
Written by LiveFM Rádio on 24 de fevereiro de 2026
A possibilidade de recuperar movimentos após uma lesão medular sempre foi um dos maiores desafios da medicina. Nesse contexto, a polilaminina desponta como uma abordagem terapêutica ainda em investigação, idealizada pela Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ, em colaboração com o Laboratório Cristália. A pesquisa começou há quase 30 anos e, apesar da repercussão gerada pelos primeiros casos acompanhados, é importante destacar que se encontra em Estudo Clínico de Fase I, que tem como foco principal verificar a segurança do uso em seres humanos antes de avançar para etapas posteriores de avaliação de eficácia. Portanto, não se trata de tratamento aprovado ou comercializado.
Como a polilaminina atua na medula espinhal
A polilaminina foi produzida em laboratório a partir da proteína laminina, componente natural do organismo que participa da estrutura e organização dos tecidos. A proposta científica é estimular a regeneração de conexões nervosas lesionadas, favorecendo a criação de novas rotas neurais.
O protocolo atual envolve:
- Aplicação única
- Administração direta na área da lesão
- Procedimento cirúrgico de curta duração
- Reabilitação intensiva após a intervenção
Além disso, a resposta clínica depende do tempo decorrido desde o trauma, da extensão da lesão e da condição geral do paciente.
Neste momento, o foco dos estudos está nas lesões agudas, com janela ideal de aplicação de até 72 horas após o trauma. Em fase subaguda, nas semanas seguintes, pode haver benefício, embora com possível redução de eficácia. Já nas lesões crônicas, com mais de 90 dias, ainda não há comprovação científica suficiente de segurança e eficácia em humanos. Estudos experimentais continuam em andamento antes de qualquer ampliação de indicação.
Pacientes submetidos ao procedimento já apresentaram evolução funcional inicial. A substância trouxe de volta movimentos sutis, mas extremamente importantes.
Em um estudo acadêmico com oito pacientes com lesão completa, os avanços foram considerados históricos.
“Com lesão completa, o que se vê na literatura é que apenas 10% das pessoas recuperam função motora. No nosso estudo acadêmico foi 75%”, destaca Tatiana Sampaio.
No entanto, ainda são necessárias evidências mais robustas. Além disso, a recuperação depende de fisioterapia contínua e acompanhamento multidisciplinar especializado.
Como todo medicamento inovador, a polilaminina ainda precisa avançar pelas etapas regulatórias para eventual aprovação. A Fase I avalia segurança; fases posteriores investigarão eficácia em maior número de pacientes.
Fonte: R7
Imagem: Reprodução/Divulgação e Getty Images via Canva)