Em um ano, Brasil tem queda de 1 milhão de matrículas nas escolas, diz Censo
Written by LiveFM Rádio on 28 de fevereiro de 2026
Entre 2024 e 2025, o número de matrículas na educação básica brasileira apresentou uma queda de mais de 1 milhão: despencou de 47,08 milhões para 46,01 milhões. É o que mostram os dados do Censo Escolar 2025, divulgados na última quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, e com os técnicos do MEC, há dois fatores que explicam a diminuição:
- Queda na população em idade escolar nos últimos quatro anos
- Diminuição da repetência com mais alunos sendo sucessivamente aprovados
Em termos absolutos, foi uma redução ainda maior do que a observada entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19. O fechamento prolongado de escolas e as crises sanitária e econômica levaram a uma queda de 600 mil: de 47,2 milhões para 46,6 milhões.
O total refere-se ao número de alunos em todas as etapas escolares: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, curso técnico, curso de qualificação profissional e Educação para Jovens e Adultos – EJA.
Os principais elementos que culminaram nesse “encolhimento” em 2025 foram:
- redução drástica nas matrículas do ensino médio, com o menor número de alunos de toda a série histórica do Censo no século XXI (São Paulo, por exemplo, “perdeu” mais de 250 mil estudantes em um ano, segundo o Inep);
- retração da educação infantil, tanto na creche quanto na pré-escola, mostrando estagnação no atendimento às crianças;
- enfraquecimento da Educação para Jovens e Adultos (EJA);
- diminuição do ensino técnico subsequente (modalidade cursada após a conclusão do ensino médio, mas que, ainda assim, é contabilizada como parte da educação básica).
Apesar das iniciativas do Ministério da Educação (MEC) para combater a evasão escolar no ensino médio, como o Pé-de-Meia (auxílio financeiro pago aos jovens que frequentam o colégio) e o Novo Ensino Médio (mudanças curriculares para aproximar os adolescentes da escola), o número de matrículas diminuiu em 2025 e atingiu o menor patamar do século XXI.
As variações entre 2024 e 2025 foram as seguintes, segundo o Censo Escolar:
- Rede Pública: Queda de aproximadamente 6,30%. O número de alunos passou de 6.759.848 para 6.334.224.
- Rede Privada: Aumento de cerca de 0,59%. As matrículas subiram de 1.030.548 para 1.036.655.
- Total: Considerando ambas as redes, a redução foi de aproximadamente 5,39%, caindo de 7.790.396 para 7.370.879 matrículas.
Desde 2001, a tendência histórica das matrículas no ensino médio mudou: começou com um crescimento inicial bem significativo, com pico histórico de 9,16 milhões em 2004, seguido por um declínio gradual, atingindo em 2025 o patamar mais baixo em mais de duas décadas (7,3 milhões).
A rede pública, que chegou a ter 8 milhões de alunos em 2004, registrou apenas 6,3 milhões em 2025. Já a rede privada manteve-se relativamente estável ao longo do período, sempre em torno de 1 milhão de matrículas, com uma leve tendência de recuperação nos últimos quatro anos.
No geral, os dados apontam que o atendimento aos alunos está aumentando (menos alunos em idade escolar fora da escola), apesar da queda absoluta no número de matriculados.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, diz que o Brasil está muito próximo de universalizar a educação básica. “Isso é uma vitória histórica do país. É a primeira geração que pode dizer, com segurança, que estamos todos na escola”, disse Palacios.
Fonte: g1
Imagem: Divulgação