Com investimento de R$ 850 milhões, obras do complexo logístico de Farol/Barra do Furado serão retomadas; pedra fundamental será lançada nesta semana
Written by LiveFM Rádio on 17 de March de 2026
O projeto do Complexo Logístico Farol/Barra do Furado, localizado na divisa entre Quissamã e Campos dos Goytacazes, no litoral do norte fluminense, será retomado após anos de paralisação. Com investimento estimado em R$ 850 milhões, o empreendimento prevê a construção de um terminal portuário e um estaleiro voltado ao desmantelamento e reciclagem de embarcações. A expectativa é que as obras sejam iniciadas ainda em 2026, com lançamento da pedra fundamental programado para a próxima semana, conforme informou a BR Offshore, empresa criada para tocar o empreendimento.
O projeto começou a ser desenhado há cerca de 15 anos. Foi anunciado inicialmente em 2011, com previsão de início das obras em 2012. No entanto, o avanço foi interrompido após a crise econômica entre 2014 e 2016 e os impactos da Operação Lava-Jato no setor de petróleo e gás.
A reativação ocorre com a entrada do Banco Fator como investidor. A instituição participará por meio da Fator Empreendimentos e Participações, com participação minoritária, além de liderar a estruturação financeira junto a um pool de bancos.
A estratégia prevê financiar grande parte dos R$ 850 milhões necessários, incluindo a possibilidade de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A meta é iniciar as operações do complexo entre 2027 e 2028.
Segundo a BR Offshore, o foco do projeto acompanha a demanda crescente por serviços ligados ao setor offshore, incluindo o suporte a futuras usinas eólicas em alto-mar e o descomissionamento de embarcações.
Mudanças
Uma das principais alterações no projeto original é a mudança no perfil do estaleiro. Inicialmente planejado para manutenção e reparo de embarcações de apoio offshore, o espaço será agora dedicado ao desmantelamento e reciclagem de navios e plataformas.
A área total do complexo será de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, localizada na entrada do Canal das Flechas, que conecta a Lagoa Feia ao oceano. Parte da infraestrutura iniciada anteriormente poderá ser reaproveitada, como um píer construído durante a fase inicial das obras.
O novo desenho do projeto elimina o estaleiro de manutenção e prioriza atividades ligadas à economia circular e à sustentabilidade industrial.
A decisão de focar na reciclagem naval acompanha o crescimento global da demanda por desmantelamento de embarcações. A estimativa é que, até 2035, cerca de 3,7 mil navios precisem ser reciclados no mundo, o dobro do volume atual.
Esse movimento pode gerar investimentos de até US$ 9,9 bilhões no setor. Estudos indicam ainda que apenas o descomissionamento de plataformas offshore deve movimentar entre US$ 14,5 bilhões e US$ 16 bilhões até o fim da década.
O complexo deverá contar com um cais de até 900 metros de extensão, capaz de receber grandes embarcações, incluindo plataformas do tipo FPSO utilizadas na exploração de petróleo.
Impactos econômicos
Além de impulsionar o setor portuário e naval, o projeto prevê a geração de cerca de 800 empregos diretos e até 3,2 mil indiretos quando estiver em operação.
Também estão previstas obras complementares, como a dragagem do Canal das Flechas, que pode beneficiar outras atividades econômicas da região, incluindo a pesca.
Apesar do avanço, o setor ainda depende da criação de um marco regulatório específico para a reciclagem de embarcações no Brasil. A regulamentação é considerada essencial para ampliar a competitividade dos estaleiros nacionais e atrair demandas internacionais.
Fonte: Agenda Do Poder
Imagem: Divulgação/BR Offshore