Perder gordura abdominal pode proteger o cérebro e melhorar a memória ao longo dos anos
Written by LiveFM Rádio on 16 de May de 2026
A redução sustentada da gordura abdominal (gordura visceral) está associada a menor atrofia cerebral, preservação de estruturas cerebrais importantes e melhor desempenho cognitivo no final da meia-idade, segundo um estudo internacional com mais de 500 adultos acompanhados por até 16 anos. Os resultados indicam que o tipo de gordura, e não apenas o peso corporal, pode ter impacto direto na saúde do cérebro.
Os pesquisadores analisaram 533 participantes, com média de 61 anos, que haviam passado por intervenções no estilo de vida anos antes. Acompanhados por um período de 5 a 16 anos, eles foram submetidos a exames de ressonância magnética do cérebro e do abdômen e testes cognitivos para avaliar o estado do cérebro e da memória.
A análise mostrou que níveis mais altos de gordura visceral estão associados a:
- maior atrofia cerebral
- redução de volumes cerebrais
- pior desempenho cognitivo
Por outro lado, participantes com menor exposição a esse tipo de gordura ao longo do tempo apresentaram melhores resultados nos testes de cognição.
O estudo foi realizado na Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Harvard (Estados Unidos), da Universidade de Leipzig (Alemanha), e da Universidade de Tulane (EUA).
Um dos principais achados do estudo é que a perda de gordura visceral durante as intervenções iniciais teve impacto anos depois.
Quem conseguiu reduzir esse tipo de gordura apresentou:
- maior volume cerebral total
- melhor preservação da substância cinzenta
- melhores indicadores relacionados ao hipocampo, região ligada à memória
Além disso, observou-se uma desaceleração na expansão dos ventrículos cerebrais, um processo que constitui um marcador bem estabelecido de atrofia cerebral.
Esses efeitos foram observados mesmo quando a perda de peso total não era significativa, indicando que a qualidade da gordura corporal pode ser mais relevante do que o peso em si.
Ao acompanhar os participantes ao longo do tempo, os pesquisadores observaram que a exposição prolongada à gordura visceral está ligada a uma aceleração do envelhecimento cerebral.
Os dados mostram que:
- níveis mais altos de gordura visceral estão associados a maior velocidade de atrofia do cérebro
- níveis mais baixos estão ligados a um declínio mais lento
Segundo o estudo, intervenções voltadas à diminuição desse tipo de gordura podem contribuir para um envelhecimento mais saudável do cérebro e para a redução do risco de declínio cognitivo ao longo dos anos.
Fonte: g1
Imagem: Adobe Stock