Descarte incorreto de óleo de cozinha entope redes e ameaça o meio ambiente
Written by LiveFM Rádio on 9 de março de 2026
O entupimento que surge no meio da rua, o esgoto que retorna pelo ralo do banheiro, o mau cheiro que invade a calçada, muitas vezes, começou dias antes, dentro da própria cozinha. O óleo de fritura despejado na pia parece escoar sem problemas. No entanto, ao atingir a rede e entrar em contato com a água fria, ele se transforma em uma massa rígida, semelhante ao concreto. Essa gordura se fixa nas paredes das tubulações, reduz a passagem e compromete o funcionamento do sistema público de esgotamento sanitário.
Os impactos vão além da infraestrutura. Um único litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. Desde junho de 2023, a Águas do Rio — companhia de água e esgoto que atende as zonas Sul, Norte, Centro e outros 26 municípios do estado do Rio de Janeiro — já recolheu 9,74 mil litros do resíduo por meio de ações de incentivo ao descarte correto. Na prática, isso representa 243 milhões de litros de água que deixaram de ser poluídos, evitando que o problema chegasse a rios, lagoas e ao mar.
Quando a prevenção falha na cozinha, o custo para a sociedade é alto. Após solidificar, o óleo forma placas espessas que exigem intervenções complexas para retirá-las. Em muitos casos, é necessário abrir o asfalto e substituir trechos inteiros da tubulação. Moradores convivem com interdições, enquanto equipes operacionais trabalham para restabelecer a normalidade do serviço. Para empresas, como restaurantes e bares, e condomínios, a manutenção e a limpeza regular de caixas de gordura e fossas sépticas são essenciais para evitar esses transtornos operacionais e cumprir as exigências sanitárias vigentes.
Para enfrentar o problema, é necessário depositar o óleo usado numa garrafa PET e entregá-lo em um ponto de coleta mais próximo de sua residência.
O material recolhido é encaminhado a indústrias e cooperativas que transformam em sabão, ração animal e biodiesel, dentro de uma lógica de economia circular. Até as garrafas PET utilizadas para armazenar o conteúdo são reaproveitadas, ampliando o impacto ambiental positivo e fortalecendo cooperativas parceiras.
“Separar o óleo usado, armazená-lo em uma garrafa e levá-lo a um ponto de coleta é um gesto simples, mas de grande impacto. A escolha evita transtornos urbanos, preserva recursos hídricos e contribui para uma cadeia produtiva mais sustentável. O que começa na pia pode terminar no rio, mas também pode ganhar novo destino antes de causar prejuízos ambientais”, afirma a gerente de Responsabilidade Social da concessionária, Tâmara Motta.
Fonte: Tempo Real RJ
Imagem: Divulgação