Tubarão é flagrado pela primeira vez em águas profundas na Antártida
Written by LiveFM Rádio on 21 de fevereiro de 2026
Um tubarão desajeitado, em forma de barril, cruzando lentamente um fundo marinho árido e profundo demais para que os raios do sol o iluminem foi uma visão inesperada.
Muitos especialistas acreditavam que tubarões não existiam nas águas geladas da Antártida antes de esse tubarão-dorminhoco surgir de forma cautelosa e breve no foco de uma câmera de vídeo, como contou o pesquisador Alan Jamieson nesta semana.
O tubarão estava a 490 metros de profundidade, onde a temperatura da água era de quase congelantes 1,27 °C.
O animal, filmado em janeiro de 2025, era um exemplar robusto, com comprimento estimado entre 3 e 4 metros.
Jamieson conta que não esperava a descoberta. “Descemos até lá sem esperar ver tubarões porque existe uma regra geral de que não se encontram tubarões na Antártida”, afirmou.
“E nem é um pequeno. É um baita tubarão. Esses bichos são tanques”, acrescentou.
A câmera operada pelo Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre, que investiga a vida nas partes mais profundas dos oceanos do mundo, estava posicionada ao largo das Ilhas Shetland do Sul, perto da Península Antártica. Isso fica bem dentro dos limites do Oceano Antártico, também conhecido como Oceano Austral, definido como a região abaixo da latitude de 60 graus sul.
O centro autorizou na quarta-feira a Associated Press a publicar as imagens.
Jamieson, diretor fundador do centro de pesquisa sediado na Universidade da Austrália Ocidental, disse não ter encontrado registro de outro tubarão já observado no Oceano Antártico.
As mudanças climáticas e o aquecimento dos oceanos podem estar levando tubarões para as águas mais frias do Hemisfério Sul, mas há poucos dados sobre mudanças de distribuição perto da Antártida devido ao isolamento da região, disse Peter Kyne, biólogo conservacionista da Universidade Charles Darwin.
Ainda de acordo com ele, os tubarões-dorminhocos, podem estar na Antártida há muito tempo sem que ninguém tenha percebido.
Fonte: g1.globo
Imagem: Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre/Inkfish/Kelpie Geoscience via AP