Produção de gás cresce no Rio e estado lidera com 75% do volume nacional
Written by LiveFM Rádio on 31 de janeiro de 2026
O Rio de Janeiro consolida sua posição como principal polo de produção e infraestrutura de gás natural do país e deve ampliar a disponibilidade do insumo para o mercado nos próximos anos. A avaliação consta da 8ª edição do estudo Perspectivas do Gás no Rio 2025–2026, lançada nesta semana pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), por meio do Firjan SENAI SESI.
De acordo com a publicação, a produção bruta de gás natural no Brasil cresceu 16% em 2025 em relação ao ano anterior, alcançando 178 milhões de metros cúbicos por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) até novembro. No mesmo período, a produção fluminense avançou 20%, chegando a 137 milhões de metros cúbicos diários — volume que corresponde a 75% de toda a produção nacional.
O estudo aponta que o mercado de gás atravessa uma transformação estrutural profunda, impulsionada pelos cinco anos da Nova Lei do Gás, por avanços regulatórios e pela adoção de novos modelos de negócio, incluindo contratos mais flexíveis e o uso do biogás. Nesse contexto, o Rio reafirma seu papel estratégico não apenas como produtor, mas como principal centro de movimentação e processamento do gás natural no país.
Segundo o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, o desafio agora é transformar o potencial produtivo em redução efetiva de custos para a indústria. “A abertura do mercado de gás vai além da ampliação de agentes. Trata-se de uma mudança estrutural que exige redefinição de competências, revisão de tarifas e um ambiente regulatório previsível. Para o Rio de Janeiro, é uma oportunidade ímpar de liderar a transição energética e a reindustrialização do Brasil”, afirma.
Os dados da publicação mostram que, apesar do aumento expressivo da produção, uma parcela menor do gás produzido chegou ao mercado em 2025 quando comparado a 2021. A fatia disponível caiu de 42% para 33%, o que indica que o crescimento da oferta não acompanhou o ritmo da produção. Ainda assim, o início da operação do gasoduto Rota 3 e da Unidade de Processamento de Gás Natural do Complexo Boaventura contribuiu para reverter a tendência de queda observada nos últimos anos.
A publicação também dedica atenção à formação de preços do gás natural no Rio de Janeiro. Segundo a Firjan, o valor final pago pela indústria é composto por 13% referentes à molécula do gás, 10% ao escoamento, 36% ao processamento, 21% ao transporte e distribuição e cerca de 20% a tributos. A federação destaca a necessidade de reduzir custos em todas as etapas da cadeia para aumentar a competitividade do insumo.
Outro ponto de destaque é a expectativa de um “choque de oferta” a partir do projeto Raia, na Bacia de Campos, previsto para 2028. O estudo ressalta a importância de viabilizar o aproveitamento de volumes atualmente reinjetados, ampliando a oferta, estimulando a competição e contribuindo para a redução dos preços ao consumidor.
Para a gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, o avanço do mercado fluminense passa pela integração de ativos estratégicos. “Um salto de qualidade depende de maior integração de estruturas como o Porto do Açu e Cabiúnas à malha de transporte nacional, garantindo que o gás chegue de forma competitiva ao setor produtivo”, afirma.
A publicação completa e os dados dinâmicos podem ser acessados no Observatório Firjan.
Fonte: diariodorio.com
Imagem: Reprodução/Getty Images