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MP-SP denuncia Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Written by on 28 de October de 2026

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinado à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Agora, a Justiça de São Paulo decide se aceita ou não a denúncia.

Em caso de condenação pelos crimes apontados pelo MP-SP, a pena de Cariani pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, ele responde o processo em liberdade.

O influenciador é suspeito de participar de um esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico produzir toneladas de drogas, especialmente crack e cocaína.

Além do empresário, a promotoria pede que os empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira também sejam condenados pelos mesmos crimes, por participação no mesmo esquema.

“Considerando o acolhimento integral do pedido acusatório, com a condenação por associação para o tráfico, por 59 crimes de tráfico de insumos e por 59 crimes de lavagem de dinheiro, a pena poderá variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão para cada réu, além das multas, desde que reconhecidas a continuidade delitiva nas duas últimas séries e o concurso material entre os três grupos, sem outras causas de aumento ou diminuição”, explicou o advogado criminalista Anderson Almeida.

“O ponto determinante é que, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça, sete ou mais infrações em continuidade delitiva justificam o acréscimo de dois terços, aplicado tanto ao cálculo mínimo quanto ao máximo. O máximo calculado corresponde à soma das penas na condenação e se distingue do limite legal de cumprimento disciplinado pelo artigo 75 do Código Penal, [que limita o cumprimento de pena a 40 anos]”, completou.

Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, que em dezembro de 2023 desmontou um esquema que desviada produtos químicos para produção de drogas.

Na época, a Polícia Federal apontou que uma das empresas em que era sócio fraudava venda de insumos para empresas farmacêuticas e o material era desviado para o refino de cocaína. O nome da empresa é Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo.

Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), por 59 vezes a empresa de Renato Cariani simulou a venda de produtos para empresas que não tinham pedido os produtos e ele mesmo simulou pedidos fictícios para justificar os desvios.

No pedido de prisão, o Gaeco afirma que mensagens extraídos do celular de Cariani mostra que ele tinha uma profunda amizade com o policial civil Anadré Dziuba, vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos usados para refino de drogas.

Renato recebia informações acerca de diligências realizadas pelo policial, opinava sobre determinadas situações e chegava a indicar ou sugerir empresas que poderiam ser objeto de fiscalização, fato que, segundo o Gaeco, “evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos”.

“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, diz o Gaeco.

“As mensagens do celular de Renato exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa”, argumentam os promotores.

 

Fonte: g1.globo

Imagem: Reprodução/Instagram


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